domingo, 23 de junho de 2024

Sinal vermelho: Dengue e Chikungunya já mataram quatro pessoas em Sete Lagoas este ano

Até a última terça-feira (20/02), Sete Lagoas contabilizava 3.648 casos confirmados de Chikungunya e outros 1.963 casos de dengue. E o dado mais alarmante: dos contaminados, quatro idosos acabaram morrendo por Chikungunya e também uma criança, de apenas oito anos, por dengue. Números registrados até o fechamento desta edição. Uma outra morte ainda está sendo investigada.

Fumacê vem percorrendo bairros da cidade

As vítimas fatais por Chikungunya e as datas das mortes foram as seguintes: no dia 05/01 – homem, 87 anos; dia 30/01 – mulher, 95 anos; e 05/02 – mulher, 94 anos. Segundo a Prefeitura Municipal de Sete Lagoas, todos os idosos apresentavam quadro de saúde com comorbidades. Já a criança de oito anos, vítima da dengue, morreu no dia 19 de janeiro.

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, apresentou, na manhã desta sexta-feira (17/2), o cenário atualizado das arboviroses urbanas no estado. A expectativa é que Minas Gerais vivencie o pior ano da história de dengue em 2024, em comparação com anos epidêmicos anteriores. Para esse enfrentamento, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), além do repasse de mais de R$ 150 milhões a todos os municípios do estado, trabalha na capacitação das equipes de saúde quanto ao manejo adequado e na mobilização para as ações programadas para o Dia D de conscientização e combate às arboviroses, que será realizado no dia 24 de fevereiro.

De acordo com Dr. Claudiney Sales, médico pediatra e diretor técnico da Unimed em Sete Lagoas, os “Arbovírus” são vírus transmitidos por artrópodes, por isso a nomenclatura “arbovirose”. Essas doenças virais, transmitidas principalmente pelo mosquito, são diagnosticadas como Dengue, Chikungunya e Zika. Confira entrevista com o profissional, que fala da situação da cidade:

Qual é a diferença entre as doenças: Dengue, Chikungunya e Zika e quais as complicações podem causar?

Características semelhantes entre as arboviroses como dores no corpo, febre e manchas dificultam a definição exata de qual doença está acometendo o paciente, mas cada uma tem seus pontos marcantes. Em uma escala de gravidade, a Zika aparece como mais leve; é marcada por febre baixa, curto período de duração e lesões de pele. Já a Chikungunya tem como marca principal dores intensas nas articulações, tais como punhos, joelhos e tornozelos. Apesar de ter um quadro com maior período de duração, óbitos por Chikungunya são raros. Por fim, a dengue é considerada a mais grave, uma vez que além dos sintomas comuns em todas arboviroses, pode cursar quadros de sangramento, principalmente em grupos de risco, como idosos e imunodeprimidos, podendo levar ao óbito. Como pediatra, não posso deixar de alertar aos pais para ficarem atentos ao repelente e hidratação dos menores, esse público por ser susceptível a diversas viroses muitas vezes tem essas doenças sub diagnosticadas.

Dr. Claudiney Sales, médico pediatra e diretor técnico da Unimed em Sete Lagoas. Foto: Assessoria

São muitas as pessoas doentes em busca de atendimento. O sistema de saúde pode entrar em colapso?

Atualmente, Sete Lagoas registra pacientes infectados em vários bairros; essa abrangência indica um quadro de epidemia no município. Os sistemas público e privado têm realizado com êxito ações para impedir o colapso do sistema e atender a todos, mas a ação mais importante é figurada pelas atitudes de cada cidadão.

Como evitar essas doenças?

É comum em nosso país apontar os governantes como responsáveis pelas epidemias, mas, nas arboviroses, a população é o maior responsável. Para reforçar o óbvio, as pessoas devem cuidar corretamente do seu lixo, plantas e quintal. Caso haja falha nessas medidas, nos protegemos dos mosquitos com repelentes, roupas compridas e inseticidas.

Quais foram as medidas tomadas pela Unimed Sete Lagoas diante desta situação?

A Unimed Sete Lagoas vem fazendo apelo em suas redes sociais e meios de comunicação com campanhas educativas para conscientizar a todos sobre a importância das medidas em seus lares. Junto das ações educativas, aumentamos o número de médicos e colaboradores, leitos para observação dos pacientes e estoque de insumos – como soro fisiológico. Nossa equipe é treinada no protocolo de Manchester, onde os pacientes são classificados e priorizados de acordo com a gravidade. Além disso, também dispomos de um moderno laboratório que alia rapidez e eficiência. Estamos certos de que trabalhando juntos vamos vencer esse cenário!