segunda-feira, 15 de julho de 2024

Junior Sousa: “A população me colocou como pré-candidato”

O ano eleitoral mal começou e os nomes que pretendem pleitear a Prefeitura de Sete Lagoas começam a aparecer. O Sete Dias e 7DiasNews estão acompanhando tudo e realizando uma série de entrevistas especiais com os principais pré-candidatos. Quem anunciou recentemente sua pré-candidatura foi o vereador Gilmar de Sousa Batista Júnior, mais conhecido como Júnior Sousa.

Quem é ele?

Natural de Abaeté, mas residente do bairro Monte Carlo desde a infância até seus 28 anos, Gilmar é formado em Comércio Exterior e pós-graduado em Controladoria e Auditoria com foco na área internacional. Ele conta que sua base profissional foi na Iveco cuidando de importação e exportação, mas chegou a trabalhar em outros países como México, Espanha, Itália, França, Inglaterra e Estados Unidos, sendo fluente em inglês e espanhol, mas também com conhecimentos em italiano e francês.

Possui um perfil no Instagram com 129 mil seguidores onde diariamente compartilha denúncias e divulgações de diversos temas de interesse público.

Como Gilmar se tornou Júnior Sousa com milhares de seguidores

Ele contou que seus amigos e familiares sempre o chamaram por Júnior ou Juninho por ter herdado o nome do pai, mas que profissionalmente era conhecido com Gilmar Júnior até que em 2017 recebeu uma indicação para se tornar apresentador de um programa de televisão com cobertura de eventos em Sete Lagoas. Vencida a resistência inicial, ele estreou o programa Agenda Cultural em um evento no parque de exposições, entrevistando público e artistas. A partir dali, começou a desenvolver o lado de comunicador. Até então suas redes sociais eram fechadas e ele, bem reservado, seu Instagram estava como Júnior Sousa e com o programa foi ficando conhecido, passando de 350 seguidores para 12 mil em um ano. Quando chegou aos 13 mil seguidores, ele teve a ideia de ficar somente na internet e fez uma mudança no formato das publicações. O perfil passou a ser denominado Júnior Sousa Informa com pequenos informes do cotidiano e suas redes sociais tiveram um crescimento exponencial chegando a 30 mil seguidores.

Pandemia, doença na família e eleição para vereador

Após algumas situações desconfortáveis pediu demissão do Legislativo e estava pronto para ir trabalhar na Irlanda, quando descobriu que sua mãe estava com um câncer e largou tudo para cuidar da D. Rosa. Pouco depois veio a pandemia e ele viu nas suas redes sociais uma oportunidade de ajudar pessoas que começaram a fazer coisas pra vender por estarem impedidas de exercer suas funções pelo lockdown, além de auxiliar quem estava com dificuldades em utilizar os meios digitais e sem saber se tinha direito ao auxílio emergencial. 

Sua popularidade, engajamento social e número de seguidores cresceram a ponto das pessoas e das lideranças políticas verem nele uma possibilidade de candidato para vereador: “Comecei a fazer ações de cobrança do poder público e de fiscalização, como cidadão. E aí a população começou a me cobrar, posicionamentos para ser candidato, porque era um ano eleitoral em 2020 também e eu recebi o convite do Douglas para ser candidato a vereador pelo MDB”.  

Júnior conta que devido à sua situação familiar, sua campanha foi totalmente virtual e não estava tão confiante de ser eleito, mas quando começou a apuração foi surpreendido com seu nome em primeiro lugar como mais votado e além disso era o mais jovem dentre os parlamentares eleitos: “Foi assustador e, ao mesmo tempo, uma sensação de dever cumprido, porque eu trabalhei durante um ano todo, de certa forma, empenhado em querer que a política desse uma mudada ou que a forma política que os candidatos ou o executivo fazia, que fosse mais claro para a população. Fui eleito agora, nós começamos uma nova batalha, que é um desafio maior, que é estar dentro do Legislativo para poder tentar mudar a política que eu acredito que seja possível fazer, que é a mudança política da nossa cidade”.

Você já esteve no Legislativo como funcionário, certo?

As pessoas acham que não tenho experiência profissional na área, mas eu atuei durante quatro anos e meio como Controlador Geral no Legislativo. Eu tive um convite para trabalhar na Câmara Municipal através do ex-presidente Fabrício. Inicialmente houve uma resistência minha em relação a essa situação porque eu queria voltar a trabalhar no exterior, mas não foi o que aconteceu. O projeto era muito ousado: a implementação de novos procedimentos administrativos no Legislativo que nunca existiu e também a implantação da ISO 9001 versão 2015. Fomos a primeira Câmara Municipal do Brasil com certificação internacional. Se alguém sai da Câmara e entra alguém para substituir, hoje tem um procedimento de todo o processo administrativo e todos foram eu quem criei. 

É correto afirmar que parte do seu sucesso hoje na sua carreira de vereador se deve ao Fabrício?

Politicamente não existiu essa relação de ascensão. Ele não foi o start para que eu pudesse seguir a carreira política, porém ele deu a oportunidade para que pudesse aprender toda essa parte administrativa dentro do Legislativo porque fui eu quem criei tudo: tanto a implementação de ISO e processo de certificação internacional, quanto o processo administrativo de praticamente todos os setores fui eu quem criei. 

Em 2022, você foi candidato a deputado também, como foi a receptividade do eleitorado?

Chegou a proposta de ser candidato a Deputado Federal, acabei indo para o PSD, que foi um partido que me ofereceu várias coisas, mas não cumpriu. E aí eu, sem muito recurso, fiz a campanha de forma muito resumida, várias pessoas me viram no sinal pedindo voto. Acho que você tem que assumir a responsabilidade e deixar a figura do político e ser o povo. Não justifica você estar aqui como vereador e lá fora você não ser uma pessoa comum, ou achar que tem que ser tratado como vereador. Então eu acho que, primeira coisa, você tem que se reconhecer primeiro como um cidadão comum e depois você ser o político. E, mesmo com pouco recurso, apenas dois anos de mandato de vereador, eu consegui alcançar um feito, talvez histórico, porque eu tinha vários concorrentes da cidade: dois colegas de Legislativo e o vice-prefeito da época. Foi uma derrota, mas pra mim foi uma vitória, porque sozinho, praticamente, eu consegui alcançar o feito de quase 26 mil votos dentro de Sete Lagoas e 30 mil votos ao total. Então, pra mim, é onde as pessoas reconhecem realmente que eu sou um representante da população e da cidade.

E agora você se prepara para disputar a Prefeitura?

Logo depois de ser candidato a Deputado Federal, eu recebi muito feedback das pessoas que não votaram em mim porque queriam que eu fosse prefeito da cidade. Eu acho que por toda a trajetória minha, profissional e legislativa, eu deixei muito claro meu amor pela cidade e o meu respeito pela população de Sete Lagoas. Isso não é o suficiente pra me colocar como candidato, mas as pessoas entenderem que eu tenho capacidade técnica de fazer com que a cidade seja uma cidade onde a gente não só apenas quer ela bonita, mas como destaque no cenário estadual. Então não foi da minha cabeça, foi em razão de muitas pessoas fazerem um movimento para que eu pudesse ser candidato e obviamente buscando uma mudança política no município. Então, por toda essa construção, por essa história que eu tenho com a cidade, com o meu trabalho, com minha escola, que foi o grupo Fiat em Sete Lagoas, eu me coloco como pré-candidato, exatamente para mudar uma história no nosso município.

Como você avalia a situação política do município?

Hoje nós podemos considerar que nossa cidade está aí há 30 anos com as mesmas lideranças políticas e que talvez esse ano seja uma virada de chave para verdadeiramente uma mudança. Porque existe uma nova liderança. Foi provado em 2020 que eu fui o candidato mais votado em Sete Lagoas, então eu automaticamente sou a nova liderança na cidade. E não é só porque eu fui o mais votado, o mais jovem, hoje eu tenho que me colocar nesse cenário e considerar como uma nova liderança em razão de tudo o que eu fiz durante todo esse período. É difícil, às vezes, os políticos que estão há muito tempo reconhecerem que existem novas lideranças e eu reconheço isso. Talvez você esteja tão acostumado com as mesmas pessoas, com os mesmos nomes, que você, quando alguém se destaca, você simplesmente deixa de falar, porque se você falar, você coloca a pessoa no lugar onde talvez eles não queiram. Porque você pode ser bom demais, mas você não é melhor que o outro. Quando você se torna melhor que alguém e aí você já não serve mais. 

Já definiu quem será o vice?

Tem uma pessoa já em vista que é uma mulher e estou aguardando a decisão dela. Acho que a gente tem que valorizar não apenas no nosso funcionalismo, mas também a mulher dentro da gestão. Hoje a gestão é feita, de uma forma muito latente, por homens, então eu percebo que nós temos grandes mulheres que ocupam espaços mas que poderiam ser muito maiores. Nós temos aí grandes mulheres, empresárias, empreendedoras, administradoras, economistas que devem estar e sem dúvida estarão num protagonismo muito maior do meu lado como prefeito do que na atual gestão.

Foi anunciado recentemente que você vai mudar de partido, porque dessa escolha?

Estou chegando no PRD, a partir de 1º de março que abre a janela, é um partido novo, um partido onde eu tenho o apoio de todos os Deputados Federais do partido, que são o Fred Costa, o Pedro Aihara, o Dr. Frederico e o Felipe Saliba. Então é um partido que tem uma representatividade lá no Congresso Nacional, e nós vamos recorrer junto a eles, principalmente nessa construção de recolocar a cidade no lugar onde Sete Lagoas merece. De fato, a gente precisa ter essa interlocução política para que a gente consiga poder ter recursos e a escolha do PRD é essa, porque esses grandes deputados que estão lá, que de fato vão apoiar a nossa cidade aqui, como jamais foi apoiada.

Por Ana Amélia Maciel