segunda-feira, 15 de julho de 2024

Do fim da siderurgia, que não aconteceu, a uma economia diversificada com mais de 6.800

Celso Martinelli

Um dos segmentos mais tradicionais da cidade e responsável por colocar Sete Lagoas no mapa do comércio exterior, sustentando a balança comercial do município nos áureos tempos, é o setor metalúrgico. A crise sempre rondou o segmento, que já chegou a empregar 12 mil pessoas em 2017.


Um dos grandes nomes do setor metalúrgico em Sete Lagoas, o saudoso empresário Antônio Pontes Fonseca, chegou a profetizar o fim da siderurgia. Em 1992, então candidato a prefeito, ele previu a extinção da atividade guseira em Sete Lagoas a curto prazo, o que não acabou acontecendo e ainda é um dos pilares da economia local.

E toda crise relacionada ao setor, mexia com a cidade, visto que a siderurgia empregava a maioria absoluta dos trabalhadores locais. Afetava também a gastronomia. O chef Roberto Miranda, em fevereiro de 1993, afirmou ao SETE DIAS que “o gusa acabou, é hora do turismo”. Para ele, na ocasião, “os guseiros ficaram milionários e é hora de retomar esses milhões que ganharam da cidade. Parar de comprar fazendas e destruir o cerrado”, considerou. O turismo de fato cresceu, mas a siderurgia também sobreviveu.


Quando o setor siderúrgico entrava em crise, a situação mexia com toda a cidade. O assunto sempre foi pauta do SETE DIAS:

AGRONEGÓCIO
A  Cooperativa Regional de Produtores Rurais (Coopersete), fundada por 65 produtores rurais de Sete Lagoas e da região, chegou aos 75 anos de existência e está mais forte e moderna.

Além de modelo de cooperativismo em Minas Gerais, a instituição é uma das maiores responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social de Sete Lagoas e cidades vizinhas.

Uma das quatro fundadoras da Cooperativa Regional de Produtores Rurais – CCPR (origem da Itambé)-, em novembro do mesmo ano de 1948, fomenta a nossa economia desde aqueles tempos, gerando empregos, negócios, contribuindo com impostos e criando maior valor agregado à produção de pequenos, médios e grandes produtores. 

A Coopersete e co-irmãs do estado, estão na base da maior mola propulsora da economia nacional da atualidade que é o agronegócio.   

Hoje, o diretor-presidente da Coopersete Mauro Melo Figueiredo entre o diretor-financeiro Ivan Leão França (esq.) e o diretor comercial Maurílio Vaz de Mello

COMÉRCIO
O comércio sempre foi e continua forte em Sete Lagoas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Município possuía no ano de 2011 um total de 5.900 empresas, e no ano de 2021 o número de empresas chegou a 6.800 registradas.  Destacam-se: o comércio em geral tem a maior participação, com 2.328 estabelecimentos; em segundo estão as indústrias de transformação, onde se encaixam as siderúrgicas, com 620 registros; e em terceiro, empresas ligadas à construção civil, com 500 CNPJ´s registrados.

Porém, desde 1992, já enfrentava o comércio ambulante ilegal, que ainda luta por seu espaço na cidade. No ano passado, a Prefeitura de Sete Lagoas publicou, no Diário Oficial do dia 20 de maio, a criação do programa municipal Ambulante Legal, que pretende organizar e facilitar a identificação dos ambulantes autorizados a trabalhar nos locais públicos. 

Com a efetiva implementação do programa, que ainda depende de regulamentação por meio de portaria, passa a ser obrigatório aos ambulantes o uso de identificação contendo nome, número de inscrição municipal e QR Code – código de barras bidimensional de resposta rápida – com informações cadastrais disponíveis no site da Prefeitura. 

O comércio ambulante também sempre esteve presente em Sete Lagoas e cresceu, assim como o comércio regulamentado

MERCADO IMOBILIÁRIO
Sempre foi e continua forte em Sete Lagoas. O SETE DIAS foi o primeiro jornal a ter páginas exclusivas para os Classificados. 

ECONOMIA DIVERSIFICADA
Sete Lagoas hoje é reconhecida por sua diversidade econômica. As indústrias automobilísticas, de alimentos, empresas de laticínios, frigoríficos, assim como o comércio e prestação de serviços são desenvolvidos. Conta com uma infraestrutura comercial ampla, incluindo shoppings, lojas, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos que atendem às necessidades da população e dos turistas.
Para José Roberto Silva, presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI),  Sete Lagoas é um polo industrial que passou por diversos ciclos de crescimento, sendo o mais recente a diversificação das atividades industriais. 

– Tudo começou com a estrada de ferro e a Central do Brasil , onde foram construídas oficinas para as locomotivas e vagões que por aqui passavam. Aqui também foi inaugurado em 12 de setembro de 1896 a estação Sete Lagoas, onde passageiros e cargas se deslocavam para Belo Horizonte, São Paulo, Corinto, Diamantina , Montes Claros e também ao Nordeste do país . Assim, Sete Lagoas praticamente nasceu no entorno da estação e oficinas da Central do Brasil. Em sequência Sete Lagoas tornou-se um importante polo leiteiro das fazendas e cidades ao seu redor . Mas dois ciclos econômicos também foram fundamentais para seu crescimento e desenvolvimento . A instalação aqui de diversas siderúrgicas produtoras de gusa, o que resultou em tempos áureos, e mais recentemente, a partir do ano 2000, com a vinda da Iveco.

 Para José Roberto, Sete Lagoas é prestigiada pela diversificação de indústrias hoje existentes, como fábricas de laticínios, de tecidos, veículos militares, de caminhões, de materiais de limpeza, de alimentos, produtos para a saúde, dentre outras. “Com crescimento também vieram diversos bancos e faculdades que fomentaram a economia e forneceram mão de obra necessária para sustentar esse polo industrial”, completou o presidente da ACI.

– Muitas indústrias estão adquirindo áreas na cidade e  essa diversificação será ainda maior. Com uma rodovia duplicada às suas margens, proximidade de um aeroporto internacional e próxima da capital do estado, Sete Lagoas tem tudo para crescer muito. Porém, precisamos ficar atentos quanto ao  que o poder público planeja para cidade, para que esse crescimento não cause prejuízos e outros dissabores de cidades grandes e mal planejadas, finalizou José Roberto.
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