terça-feira, 25 de junho de 2024

Eu sou mãe!

Por Carol Loiola
Professora

Eu sou mãe, sou mãe 24 horas por dia, 7 dias na semana. Luto, milito e trabalho em função do meu maternar, não à toa que foram entoados o grito “PODER MATERNO” em vários momentos críticos da história da humanidade.

Hoje venho fazer um desabafo. Nós servidoras públicas municipais estamos sofrendo, nós EDUCADORAS estamos adoecendo, não basta só adoecer, não podemos também cuidar da nossa saúde ou enfermidade. Se vamos ao médico e eles nos dão um atestado de horas, para a @prefeituradesetelagoas isso não tem valor, ficamos devendo estas horas, imagina nós que trabalhamos 8 horas? Que horas poderíamos marcar uma consulta, um check-up, ou mesmo ir ao dentista? Que horas poderemos fazer prevenção? Mas para além disso vem outra situação, dependemos do SUS, não temos planos de saúde, não temos mais a Bemsel e para profissionais do Estado, há o risco de perder o Ipsemg. Não depende da nossa vontade a marcação de consultas ou procedimentos. É justo dever esta hora? E quando somos mães, se são as atípicas a situação é muito séria e mães solos, que detém a guarda dos filhos há o peso da lei e da justiça nos nossos lombos. E quem tem o interesse de lutar por nós e conosco? A luta materna é solitária.

Dia 09, minha filha caçula passou muito mal durante a noite, febre alta, dor no corpo, nos olhos, cansaço, fraqueza, um combo de enlouquecer qualquer mamãe, não é mesmo?

Corri para a Unimed (graças ao bom pai ainda é possível para ela o plano de saúde) passamos a madrugada lá, exames, espera de resultado e ela prostradinha. A suspeita, pra variar covid e/ou dengue, talvez chikungunya. Exame pronto, voltar para a consulta, médica tinha acabado de sair, estávamos exaustas, como o exame da covid só ficaria pronto com três horas de prazo.

Decidimos às 3 horas da manhã voltar para casa. (Será que na UPA estava assim também?) Dúvidas de mães. A febre controlada, criança/adolescente medicada, dormimos. Voltamos para o hospital, pegamos o resultado do outro exame, marcamos a consulta, aguardamos.

Minha filha mesmo medicada, a febre continuava e a fraqueza também. A médica que nos atendeu disse que deu negativo para covid e arboviroses mas que ela estava com anemia, imunidade baixa e por estas causas pegou uma gripe forte. Me deu atestado de acompanhamento e disse: mãe, hoje você precisa ficar em casa para acompanhá-la e a qualquer sinal de piora, volte ao atendimento

Comprei fígado de boi, fiz vitaminas, sucos, acalentei meu maior amor com todo amor possível transbordando. Zelei, cuidei, amei aquele serzinho meu, ali ela estava indefesa e eu vigilante. Organizei tudo pois no outro dia eu teria que trabalhar e ela estaria o resto da semana de atestado para se recuperar.  E aí o que a gente faz? Pedi minha mãe para cuidar dela, fui no outro dia trabalhar com lágrimas nos olhos, ligava a todo o momento para ter notícias.

Sabe o atestado de acompanhamento? Não tem valor nenhum para a prefeitura, eu que trabalho 8 horas por dia, devo este dia ou será cortado. Me pergunto se homens fossem cuidadores, se homens “faltassem” do trabalho para cuidar dos filhos, seriam penalizados? Ou teriam leis que os protegeriam? Precisamos falar do maternar e do poder materno. Precisamos mudar esta realidade. Vou pedir esclarecimentos, vou pedir um parecer jurídico da prefeitura, vou na justiça perguntar o que aconteceria se eu deixasse minha filha sozinha. Por que as mães são sempre punidas?

Só existe revolução com as mães.