quinta-feira, 13 de junho de 2024

Chikungunya tem tratamento?

Em entrevista exclusiva ao Sete Dias News, o renomado reumatologista sete-lagoano, Dr. Bruno Antunes, fala sobre as fases da doença e a importância crucial do tratamento adequado na prevenção de sequelas e no alívio dos sintomas.

Imagem: Organização Mundial da Saúde (OMS)

Por Roberta Lanza

A chikungunya, uma doença relativamente nova em nosso cenário médico, tem gerado crescente preocupação devido à sua propagação e aos desafios associados ao seu tratamento. Em uma entrevista exclusiva concedida ao Sete Dias News, o Dr. Bruno Antunes, renomado reumatologista de Sete Lagoas, apresentou insights valiosos sobre a doença, que pode gerar alterações no humor, depressão, distúrbios de ansiedade e sono em todas as suas fases. Além disso, o reumatologista esclareceu sobre as nuances das diferentes fases da chikungunya, destacando os sintomas predominantes e a importância crucial do manejo adequado desde o início da infecção. Veja:

Como você descreveria a situação atual da chikungunya em Sete Lagoas, de acordo com os casos que chegam até o seu consultório? Estamos vivendo um aumento nos casos ou uma estabilização?

Certamente o número de casos novos diminuiu nas últimas semanas. O que tenho atendido no consultório recentemente são casos de fase crônica, ou seja, casos com mais de 3 meses de evolução e que persistem com sintomas.

A doença tem três fases, correto? Quais são os sintomas mais comuns em cada uma delas?

Temos a fase aguda (do início dos sintomas até o 15º dia), fase subaguda (16º ao 90º dia) e fase crônica (após 3 meses). Na fase aguda, pode ocorrer febre, dores articulares muitas vezes acompanhadas de inchaço, náuseas, vômitos, dor de cabeça, mal-estar geral e lesões de pele avermelhadas. Na fase subaguda e crônica, o mais frequente é a dor articular, que pode variar de formas leves até quadros muito incapacitantes.

Explique brevemente os tratamentos específicos para cada fase da chikungunya?

Na fase aguda, devemos realizar hidratação oral frequente, uso de analgésicos e antitérmicos. Além disso, compressas frias podem ser utilizadas para alívio. Aspirina (AAS) e anti-inflamatórios devem ser evitados. Na fase subaguda, escolhemos o tratamento de acordo com a intensidade dos sintomas, idade e comorbidades dos pacientes. Podemos usar anti-inflamatórios, analgésicos mais potentes e corticóides. Na fase crônica, e em alguns quadros mais graves da fase subaguda, podemos associar drogas como hidroxicloroquina e metotrexato para alívio.

De acordo com estudos, a terceira fase do tratamento da chikungunya pode gerar alterações psiquiátricas. Poderia explicar sobre isso? Quais são essas alterações e como elas podem afetar os pacientes?

Em todas as fases da chikungunya, podemos observar alterações no humor, depressão, distúrbios de ansiedade e sono. Como se trata de uma doença que pode levar a dor crônica, incapacidade e interrupção de atividades esportivas, sociais e de lazer, pode haver aumento desses distúrbios, que muitas vezes podem necessitar de tratamento medicamentoso e não medicamentoso.

Qual é a importância de um tratamento adequado desde o início da infecção por chikungunya? Como isso pode impactar a progressão da doença e a qualidade de vida do paciente?

O tratamento adequado diminui as complicações e alivia os sintomas. Porém, é importante saber que o tratamento não modifica a duração da doença, ou seja, o tratamento não tem capacidade de cura. Apesar de não ser curativo, o tratamento auxilia o paciente a voltar às suas atividades habituais, melhorando sua qualidade de vida.

Quais são as complicações mais comuns que a chikungunya pode causar em uma pessoa se o tratamento não for realizado adequadamente?

Pacientes podem ficar muito limitados devido ao quadro de dor, inflamação e edema articular. É importante procurar o reumatologista para avaliar a medicação correta, sobretudo os idosos e os indivíduos com outras doenças, pois a medicação inadequada pode gerar mais danos à saúde do que a própria chikungunya. Existem complicações mais raras, como destruição articular e acometimento do cérebro e rins. Caso surjam, os pacientes devem ser encaminhados para avaliação especializada.

Há alguma orientação específica que você gostaria de fornecer aos residentes de Sete Lagoas para ajudar na prevenção e no manejo da doença?

São as mesmas orientações para a prevenção da dengue, ou seja, eliminar água parada para evitar focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. Além disso, usar repelentes de acordo com a indicação para cada faixa etária, usar mosquiteiros, telas em portas e janelas, e vestir calças e camisas de manga comprida. Uma atitude muito importante é passar repelentes em pacientes já infectados por dengue e chikungunya, pois essas pessoas são fontes de contaminação de outros mosquitos, perpetuando o ciclo de contágio.

Dr. Bruno Antunes é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui Residência Médica em Clínica Médica pelo Hospital Semper, em Belo Horizonte, Especialização em Reumatologia pela Santa Casa de Belo Horizonte e título de Especialista em Reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. Foto: Arquivo pessoal