quarta-feira, 24 de abril de 2024

Centro sismológico com oito novos equipamentos será instalado em Sete Lagoas

Relatório aponta que tremores têm tanto causas naturais quanto por ação humana; Prefeitura pede que denunciem explosões ou atividades suspeitas

Equipe de pesquisadores da UnB monitoram sismógrafo próximo à Gruta Rei do Mato – Foto: Divulgação/PMSL

Diante dos recentes e frequentes tremores, a Prefeitura de Sete Lagoas anunciou no fim da tarde desta terça-feira 16 que vem realizando várias ações para compreender o fenômeno. O secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agropecuária de Sete Lagoas, Edmundo Diniz, anunciou uma nova parceria com o Centro Sismológico da UnB para a instalação de oito novos sismógrafos na cidade. 

“Nesta quinta os pesquisadores vão montar um centro sismológico em um raio ainda maior. Não descartamos nenhuma hipótese. Queremos ratificar o estudo já apresentado para tranquilizar a população. Lembrando que os maiores fiscais do município são os olhos do povo. Se identificar alguma detonação ilegal, extração ilegal de minério, desmatamento, entre outros, denuncie na Guarda Municipal, na Polícia Ambiental ou na Secretaria de Meio Ambiente”, completou o secretário.

A Prefeitura contabilizou que desde abril de 2022 até hoje foram 26 abalos sísmicos, felizmente, de pouca intensidade. “Toda a região é cárstica, caracterizada por seu relevo com dissolução/corrosão de rochas, formando uma série de feições como cavernas, grutas, lapas, abrigos, dolinas, rios subterrâneos, paredões rochosos, lapiás, entre outros. O que, a princípio, facilita a captação de águas subterrâneas, principal fonte de abastecimento de Sete Lagoas por décadas, por outro lado leva a tremores ocasionais, que podem ser de baixa ou de alta intensidade (escala Richter)”, lembra a Administração.

Resultados

Segundo o relatório entregue pelo Centro Sismológico da UnB, no total, “catalogamos 48 eventos como sismos naturais na região até o momento. Durante o período de monitoramento, registramos um total de 625 eventos locais (a uma distância inferior a 150 km). Destes, apenas sete eventos ocorreram de forma natural. Notavelmente, somente quatro desses eventos tiveram epicentro dentro dos limites do município de Sete Lagoas”. 

Por outro lado – segue o relatório – observamos um número considerável de 618 eventos artificiais, com a maioria concentrada nas cidades de Itabirito, Santa Bárbara, Itabira e Conceição do Mato Dentro. Apenas seis eventos foram registrados diretamente no município de Sete Lagoas. “Dos sete eventos naturais registrados, estimamos a razão Vp/Vs em 1,71, valor que se encontra dentro das expectativas para a região do Cráton São Francisco (SFC). Essa atividade sísmica ocorre na interface entre o limite tectônico do SFC e a bacia, com uma direção predominante no sentido Noroeste-Sudeste”, diz a conclusão do estudo.

Ao comparar esses eventos com as falhas mapeadas e as posições epicentrais de terremotos significativos, os pesquisadores da UnB identificaram segmentos de falhas considerados ativos ou potencialmente ativos, representando um passo inicial na identificação de fontes sísmicas associadas a essas falhas. “É fundamental ressaltar que, embora Sete Lagoas seja uma área de baixa sismicidade, a densidade populacional torna qualquer evento sísmico de baixa magnitude mais impactante. No entanto, isso não garante que não ocorrerão tremores de maior magnitude no futuro, mas indica que a probabilidade ainda é baixa. Portanto, é de extrema importância que as autoridades locais e os moradores estejam cientes do risco sísmico e estejam preparados para responder a um eventual tremor de maior magnitude, garantindo a segurança da população”, conclui o relatório.

Prefeitura relembra medidas tomadas

De acordo com a Prefeitura, em maio de 2022, foi solicitada a cooperação para estudos e informações a respeito dos abalos sísmicos na cidade para o Observatório Sismológico da UnB e para o Centro de Sismologia da USP. Além disso, um grupo de trabalho foi instituído por meio da Portaria Nº 14.630/2022, para elaborar uma análise e relatório de avaliação de vulnerabilidade sísmica do município. Em junho daquele ano, a Defesa Civil Estadual foi chamada para apoiar o município em ações de orientação junto à população.e o grupo de trabalho se reuniu com o pesquisador Dr. Paulo Roberto Antunes Aranha, professor do Instituto de Geociências do Departamento de Geologia da UFMG e, no mês seguinte, com o Major Eduardo Lopes (Defesa Civil Estadual), o Sargento Luiz (19ª RISP) e o professor do Centro Sismológico da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Assumpção.

Já em agosto foi anunciada a instalação de seis sismógrafos em diferentes pontos do município, em uma parceria com o Centro de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB). Durante aproximadamente sete meses os sismógrafos registraram tremores na região, diferenciando inclusive o que se tratava de ação humana (explosões) e causas naturais (tremores). Um desses registros, inclusive, ocorreu com a presença da equipe de pesquisadores da UnB na cidade, em dezembro de 2022.

O ano de 2023 foi mais tranquilo, com apenas duas ocorrências registradas na cidade: uma em abril e outra em maio. Já 2024 começou com forte atividade sismológica, com uma ocorrência no último domingo, 14, e três ocorrências seguidas nesta terça, 16. Todas, porém, com baixa intensidade (entre 2.2 e 2.8 graus na escala Richter). Após um período de análise dos dados dos sismógrafos instalados na cidade, o Centro Sismológico da UnB entregou o relatório final citado acima.

Da Redação com PMSL

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