sábado, 13 de julho de 2024

Volta de Alexandre Mattos foi uma ótima. Nossos clubes precisam valorizar mais os profissionais mineiros | por Chico Maia

A volta de Alexandre Mattos acrescenta muito ao América e ao futebol mineiro

Alexandre Mattos (camisa branca), entre Marcus Salum (esq.), Diretor de Futebol, Fred Cascardo, e Euler Araújo (Foto Mourão Panda/América)

Além de “prata da casa” é competente, dos melhores do ramo no Brasil, uma revelação do próprio América, que se despontou nacionalmente ao montar um excelente grupo no Cruzeiro e surpreender o país com a conquista de dois Brasileiros seguidos, 2013/2014.

Ele começou buscando Marcelo Oliveira, que fazia ótimo trabalho no Coritiba e os dois “garimparam” bons jogadores, pouco conhecidos até então e que não custariam caro ao clube. Uma liga que deu certo.

Dois mineiros que tiveram a rara oportunidade de mostrar seu trabalho em um dos nossos maiores clubes.

De uns anos para cá, eles passaram a importar treinadores, diretores e jogadores de qualidade duvidosa custando fortunas, sem justificar os altos investimentos.

O tempo passa depressa, a comunicação ficou mais acelerada com as novas tecnologias e a memória do brasileiro que já era curta, agora se tornou “vaga lembrança”, abrindo espaço para ingratidão e injustiças.

A torcida do Cruzeiro deve um reconhecimento especial ao Dr. Gilvan de Pinho Tavares, que foi o presidente que teve coragem de bancar Alexandre Mattos e Marcelo Oliveira.

Primeiro clube fora do “eixo” a quebrar a longa hegemonia dos endinheirados paulistas e cariocas, que se revezavam nas conquistas dos títulos do Campeonato Brasileiro.

Aliás, o Cruzeiro era ótimo nessas descobertas. Foi o Zezé Perrela quem descobriu e lançou o Eduardo Maluf, que tinha sido goleiro e depois presidente do Valeriodoce de Itabira.

Com o trabalho feito na Toca da Raposa, Maluf se tornou referência no Brasil, cobiçado pelos maiores clubes do Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas ficou em Minas, porque o Atlético pagou mais para mantê-lo em Belo Horizonte.

Minas Gerais deveria valorizar mais os mineiros, comprovadamente competentes ao longo da história, dentro e fora dos gramados, com direito a vários “gênios”, muito acima de média.

Nem preciso citar nomes porque o Brasil e o mundo conhecem e reconhecem, mais que muitos próprios mineiros.

Está aí o técnico Leo Condé, fazendo sucesso no Vitória, campeão baiano este ano, campeão da Série B 2023, com jogadores “garimpados” a dedo, sem nenhum medalhão. Mineiro de Piau (perto de Juiz de Fora), já trabalhou no Tupi, Ipatinga, Villa Nova, Nova Iguaçu, Caldense, Sampaio Corrêa, Bragantino, Goiás, CRB, Botafogo-SP, Paysandu, São Bento, Novorizontino e agora Vitória. Nunca teve seu nome nem especulado pela imprensa para comandar Atlético, Cruzeiro ou mais recentemente o América, apesar da competência comprovada.

(Foto: twitter.com/ECVitoria)

Jovens promissores profissionais mineiros, fora das quatro linhas especialmente, têm de sair de Minas, mostrar serviço lá fora, para só depois serem notados e contratados pela nossa dupla mais endinheirada. Um exemplo atual é o Alberto Simão, que fez ótimos trabalhos como diretor de futebol da base do América, depois profissional do Tupi e Tupynambás de Juiz de Fora, Vila Nova e contratado pelo Palmeiras para comandar o departamento de futebol feminino do clube.

Alberto Simão, elogiadíssimo pela presidente Leila Pereira. (Foto: Luiz Guilherme Martins/Palmeiras)

No início deste ano um amigo jornalista da Austrália me disse que um jovem brasileiro, de Belo Horizonte, vem se destacando como fisiologista e analista de desempenho de alto rendimento em um clube de Gold Coast, cidade onde ficou a seleção olímpica brasileira na Olimpíada de Sydney em 2000 e a seleção feminina na Copa do Mundo de futebol do ano passado.

Para a minha satisfação fiquei sabendo que se trata do Henrique, filho do amigo Itamar e a Leda Alitolip.

O Itamar é um tradicional conselheiro do Cruzeiro, atuante junto a diretoria de um período de grandes conquistas no início dos anos 1990 de Benito, César e Salvador Masci.

(Foto: acervo pessoal)

O time em que o Henrique está trabalhando é o Ormeau FC, que no dia da sua contratação deu as seguintes boas vindas no site oficial do clube:

(Foto: OrmeauFC/divulgação)

“Bem-vindo Henrique Alitolip ao Ormeau FC como nosso novo treinador de alto desempenho!

Temos o prazer de anunciar a chegada de Henrique Alitolip à nossa comissão técnica do Ormeau FC! Henrique traz consigo um vasto conhecimento e experiência de sua passagem por conceituados clubes esportivos profissionais brasileiros, como o Minas Tênis Clube, onde aprimorou suas habilidades como cientista esportivo em vários esportes coletivos, incluindo futsal, basquete e vôlei. Suas funções anteriores em clubes de futebol renomados como Cruzeiro e Atlético Mineiro em suas categorias de base solidificam ainda mais sua rica experiência em desempenho esportivo. Henrique é Bacharel em Educação Física no Brasil (o equivalente a um Bacharel em Ciências do Esporte na Austrália).

A adição de Henrique representa um marco significativo para nós, pois ele vem equipado com um profundo conhecimento de carga de trabalho e monitoramento de bem-estar, juntamente com estratégias robustas de força e condicionamento destinadas a elevar o desempenho de nossos jogadores e, ao mesmo tempo, minimizar os riscos de lesões. Henrique trabalhará em nosso programa FQPL3 e trabalhará em estreita colaboração com o técnico Nathan Mulhearn e Thiago Duarte (1º assistente de equipe e técnico sub-23).”

Todo sucesso ao Henrique, mais um mineiro fazendo sucesso mundo afora. E na Austrália, um dos melhores países que tive o maior prazer em conhecer e que oferece a melhor qualidadde de vida para quem mora lá.

Que um dia ele esteja trabalhando em um dos nossos maiores clubes, de preferência em Minas Gerais.