sábado, 13 de julho de 2024

Valéria Reis é a nova presidente da ACI-Sete Lagoas

Nos 88 anos da instituição, esta é a segunda vez que uma mulher assume a presidência

O 8 de Março deste ano tem uma importância a mais para a Associação Comercial e Industrial (ACI) de Sete Lagoas, porque nesta data começa efetivamente o mandato da segunda mulher a ocupar o cargo de presidente da associação em seus 88 anos de existência. A primeira foi Maria Auxiliadora Matos de Melo, que foi presidente na gestão 1996/1998.

Na noite dessa quinta-feira (7), no auditório da ACI, foi realizada a Assembleia de eleição e posse da nova diretoria para o biênio 2024/2026 que tem como candidata única a empresária Valéria Reis, por indicação do presidente anterior e aclamação de todos os diretores.

Quem é Valéria Reis?

Filha de um militar, ela conta que desde criança ouvia de seus pais a importância de servir a comunidade e de fazer a sua parte por um bem coletivo. Valéria Regina Amaral Torres Reis, mais conhecida como Valéria Reis, disse que, desde a época de sua graduação, o mundo empresarial fez parte de seu desenvolvimento: “Sempre participei de grupos e sempre quis fazer movimentos para que o associativismo fosse uma coisa presente, nos movimentos, nos lugares onde eu atuava”. É Psicóloga, mas voltou-se para a Psicologia Empresarial durante a formação, fez pós-graduação em Gestão e Educação Empresarial e Mestrado em Administração. Tem ampla experiência na área de Recursos Humanos (RH), foi professora universitária, fundou, junto com Ana Célia Cardoso, a Âncora Recursos Humanos, o Grupo Seta (primeiro grupo de RH de Sete Lagoas) e o Grupo CriaRH. Também foi uma das fundadoras e a primeira presidente do Grupo Alvo. Se associou à ACI e já atuava na diretoria quando, há seis anos, ajudou a fundar o Helenas – Núcleo da Mulher Empreendedora de Sete Lagoas, do qual foi presidente de 2020 a 2023. Atualmente é empresária e sócia-proprietária da Esquimó Ar Condicionado.

O Helenas é um dos primeiros grupos de empreendedorismo feminino da cidade, qual a importância dele na sua trajetória?

Realmente foi um marco mesmo na minha vida do associativismo, onde tive muitas oportunidades, um crescimento muito grande e, principalmente, um reconhecimento do trabalho que foi realizado com sete diretoras, que eu considero que esse núcleo de diretoras é que fomentou todo o crescimento e o reconhecimento do Helenas, tanto a nível estadual quanto até federal. E com isso também o que eu sempre quis: contribuir mesmo! E o associativismo tem isso. Você tem que doar primeiro, para que você realmente consiga perceber a importância dessa união. Eu continuo diretora do Helenas, porque é um movimento que realmente eu tenho muito prazer de fazer.

Como foi a indicação do seu nome para a presidência da ACI?

Eu fiquei emocionada, porque meu nome começou a sair. Foi uma reunião de diretores, e aí as pessoas falam alguns nomes, e na hora que saiu o meu nome, foi pura aclamação. Então, eu me senti tão feliz, tão orgulhosa… de poder ver que eu tive um reconhecimento, foi uma honra pra mim ter esse reconhecimento com os meus colegas. Então, fiquei muito feliz. E também não esperava, foi uma grata surpresa pra mim.

Você é a segunda mulher a ser presidente da associação, como você vê isso? 

Eu me sinto extremamente orgulhosa e sei da responsabilidade que isso acarreta. Só que eu quero olhar muito mais pelo lado do que eu construí, da competência e da disponibilidade que eu vou ter, do que pelo fato de eu ser mulher. Eu quero também deixar marcas bem positivas na minha gestão: eu quero que seja uma gestão compartilhada, com as pessoas realmente imbuídas do mesmo objetivo. E que as mulheres se sintam inspiradas a conseguir galgar outros lugares, outros espaços que elas pretendam, que elas queiram. Mas não como uma bandeira, e sim como uma forma que eu tenho de contribuir mais uma vez pelo trabalho, pela dedicação, pelo compromisso que eu tenho com aquilo que eu me proponho a fazer. 

Quais as expectativas para o mandato?

Eu estou sendo precedida por uma gestão muito eficaz, que é a de gestão do Zé Roberto. Então o nível de exigência é maior. Eu espero poder ter um nível de desempenho tão bom quanto ele e conseguir manter a ACI no nível que ela tem que ser mesmo: um protagonismo na área empresarial, relevância no contexto empresarial e até mesmo do sistema da cidade.

Qual o maior desafio para o seu mandato? 

Na minha visão, a ACI tem um grande trunfo, que são as grandes empresas estarem sendo parceiras aqui, né? Serem associadas. Então, o que eu gostaria mesmo, é que os grandes players de Sete Lagoas tivessem maior interação comercial com as pequenas e médias empresas de Sete Lagoas. Quero fortalecer essa cadeia em termos de: o que está precisando para que as grandes empresas comprem mais das empresas de Sete Lagoas? Se é qualificação, se é melhorar o produto, se é melhorar o atendimento, se é melhorar a qualidade, se é melhorar o tempo de entrega, o que pode ser melhorado? Para que nossas empresas tenham condições de crescer e prosperar mais, e acho que esse é o grande desafio. Eu vejo que tem muita empresa boa dentro, que tem muita empresa que pode oferecer ótimos serviços e bons produtos também, e que isso tem que ser mais explorado, tem que ser mais divulgado, tem que ser mais fomentado. O empresário também tem que ficar atento a isso. Quais são as mudanças que estão acontecendo? O que eu posso fazer então para que isso aconteça? Para que esse desenvolvimento cresça mais. E não só vender para Sete Lagoas, mas vender para toda a região. Então acho que o grande desafio hoje da ACI vai ser fazer essa interação, essa ligação, essa ponte, e ver o que está precisando: quais são os instrumentos que a gente pode utilizar para que isso seja viável, isso seja possível. 

Acredita que os desafios serão maiores por ser uma mulher na liderança?

Não é porque sou mulher que os desafios vão ser maiores. E se também eu perceber isso, vou tentar muito ter equilíbrio para tentar entender também o outro lado. Quero que os meus companheiros homens tenham em mim uma parceira mesmo, como eu sempre tive com eles. Ninguém precisa brilhar mais que ninguém.

Existe alguma política dentro da ACI para qualificação de mão de obra?

No projeto atual, não. Mas como eu sou uma pessoa oriunda da área de Recursos Humanos, eu tenho esse olhar. Eu acredito que as parcerias, principalmente com universidades, com os cursos técnicos, possam viabilizar e o empresário muitas vezes também não ficar esperando que esse profissional esteja aí no mercado, que já chegue pronto. Ele também tem que investir no treinamento, no desenvolvimento, para a possibilidade dele conseguir usufruir de uma mão de obra mais qualificada para que a própria empresa consiga crescer e se desenvolver.

ACI e política: Qual o papel da associação neste ano eleitoral?

Eu acho que o grande papel da ACI é ser uma facilitadora dos negócios, é contribuir para que o ambiente empresarial seja mais agradável, mais viável no contexto da cidade. Então, todas as políticas que forem para o benefício disso, eu acho que a ACI tem que estar junto, acompanhando e também até mesmo dando sugestões. Então, eu só acredito na política quando ela é feita para realmente ter desenvolvimento e prosperidade, que vai pensar num projeto de cidade, num projeto maior, onde todos vão poder usufruir de toda a riqueza que a gente produz. Então, acho que a ACI tem esse papel, de acolher os candidatos, se eles acharem interessante que nós possamos construir um projeto de cidade, um projeto de empreendedorismo na cidade, para que a gente possa ter daqui a dez anos um outro perfil, às vezes, no contexto da nossa cidade, mas que a gente tem que ter essa visão, tem que ter visão de futuro, tem que ter visão de crescimento.

Qual a sua mensagem para as mulheres?

Tem uma frase que eu gosto muito de Nietzsche, um filósofo alemão.  Ele fala que os desafios não nos matam, eles nos fortalecem. Então, acho que todas as mulheres, elas têm que perceber que, às vezes, o esforço tem que ser um pouco maior. Porque as nossas atribuições são muitas, as exigências são maiores e que esses esforços, eles têm que nos fortalecer cada vez mais. Então, esse é um recado que eu gostaria de deixar para as mulheres. Os desafios não nos matam, eles nos fortalecem.

Confira fotos da Assembleia de Posse:

Por Ana Amélia Maciel